ROMANCE DO VOLUNTÁRIO: Apparício Silva Rillo
Voluntário em vinte e três, Chico Pequeno, um piá, deixou rastros na memória dos que pelearam a seu lado nas serras do caverá...
Quando o estancieiro caudilho, de cima do baio negro, sacudiu seu pala branco fazendo um charachachá, no meio de toda a gente o primeiro passo à frente quem o deu foi o piá.
- Não quero guri na tropa! Gritou de cima do baio o caudilho comandante. - Lugar de guri é em casa junto da saia da mãe. Que apresente seu pai, que este sim agora vai para seguir com a coluna queira ou nào queira marchar. Pois de certo por covarde ficou aquentando ao fogo e manda a cria em seu lugar...
Chico Pequeno, o piá, com o chapéu esmagado dentro das mãos contorcidas num fio de voz respondeu: - Respeite sua memória, Seu Capitão Comandante. Não se chama de covarde a um taura que já morreu. E se hoje me apresento foi atendendo a promessa que lhe fiz, quase em seu fim: De levar a sua lança para pelear na coxilha sempre que o pago se erguesse para seguir um clarim!
Já com a voz embargada, o duro e velho caudilho a quem Deus não dera um filho para seguir-lhe o exemplo, ao voluntário indagou: - E sua mãe sabe disso? Chico Pequeno, o piá, respondeu num sufragante: - Sabe sim seu comandante, foi ela quem me mandou...
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