CANHA Apparicio Silva Rillo
Canha, és a chinoca ruiva mais acesa que jamais gauderiou pela campanha. Para encontrar-te basta bater à porta de um bolicho, desses que a gente encontra em qualquer parte, que brotam em qualquer chão como erva ruim.
Oferecida e fácil, por qualquer meia pataca já te entregas.
Já te encontraram dormindo – quantas vezes! Dormindo nas macegas, juntinho à camisa suja de muito crioulo escroncho!
Tens especial preferência pelo aconchego de um poncho.
Nas horas mortas das longas noites de ronda, com teu beijo incendiado reconfortas o índio sofrido e rude que te sabe sem virtude mas que te quer, mesmo assim.
Andas na boca do poço como toda mulher de vida alçada. Mas total, que vale a fama? Vale nada... Quanta gente não há que te difama sem piedade, quando a mais pura verdade é que em segredo te ama?
Tens o dom da ubiqüidade, china ruiva. Estás ao mesmo tempo na cidade - `as vezes disfarçada noutro nome, mais pedichona no vestido novo – e ao mesmo tempo na campanha - mal pilchada, sem retovo – mas sempre a mesma china ruiva e louca, andeja e sem pudor, que se deixa beijar por qualquer boca e não refuga amor!
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