O TOURO DO VÔ VIEIRA
Texto de Luiz Coronel

     Segundo diziam, da boca pra fora, as crias do touro do Vô Vieira formavam um rebanho de largo porte.
Pois não é que na vizinhança, pra ser mais preciso, na fazenda dos Pereira tavam precisando  botar as vacas em cria. Andavam tudo de ventre murcho, mugindo solidão e desamparo.
Foi quando, sabedor nas carências da vizinhança, Vô Vieira ofereceu seu touro em serventia.
O touro tava lá pateando chão, rebentando aramado.
Dia e hora em bom acerto, lá se foi o touro do Vô Vieira cumprir os encargos de multiplicação.
Mas, nada como um dia em cima do outro.
Entre o que se pensa e o que se espera, um touro se aquieta e uma casa vira tapera.
De manhã se ouviu aquele mugido que vinha das bandas do açude. Era o touro do Vô Vieira enfiado n'água até o pescoço, só a cabeça de fora, e as vacas ladeando o açude, formando um colar de guampas, mugindo em coro contra o assustado touro do Vô Vieira.
Era pouca bala para uma trincheira tão bem arregimentada.
É por isso que o povo diz: " Touro em campo alheio é vaca".