O CAVALO VERDE
Joveniano Centeno era flaco(1) de corpo e largo de alardes. Quando o lusco-fusco já aquietava os cuscos(2), colocou a bota fora do portal e se deparou com o seu cavalo tordilho, pintado de verde. Respirou fundo e entrou na venda, se plantando embaixo do lampião com pose de quero-quero. - Se tem mãe de respeito, quem fez o desaforo que se apresente - gritou Jovenciano. Lá do fundo da venda, caminhando devagar como quem trafega atoleiro, vem vindo o Salustiano, um aspa-torta(3) com dois metros de altura e "uma feiúra de partir espelho". Vinha limpando as unhas com uma carneadeira luminosa. - Pois o matungo na cor dos campos te serve melhor de montaria, seu maturango(4) - falou e disse o desabusado. "Bêbado de susto" e atropelo, Joveniano teve apenas tempo de aliviar os acontecidos. - Epa, epa - retrucou. - Eu só vim avisar que a primeira demão já tá seca! |